O que a alimentação tem a ver com o processamento sensorial?
Para algumas crianças autistas, o cheiro, a temperatura, a textura, a aparência e até o som de um alimento podem ser muito intensos. Uma fruta madura pode parecer completamente diferente da mesma fruta menos madura. Isso ajuda a explicar por que mudanças pequenas, aos olhos de um adulto, podem provocar grande desconforto.
Nem toda criança autista apresenta seletividade alimentar, e nem toda seletividade está relacionada ao autismo. É importante conhecer a experiência daquela criança, em vez de presumir uma causa única.
Por que o alimento aceito ontem pode ser recusado hoje?
O contexto faz diferença: cansaço, alterações de rotina, sensibilidade sensorial e experiências anteriores podem influenciar a disponibilidade para comer. Também podem existir questões gastrointestinais, dificuldades de mastigação ou outras condições que precisam ser investigadas.
Como apoiar sem transformar a refeição em disputa?
- Observe quais características dos alimentos são mais confortáveis ou difíceis para a criança.
- Ofereça previsibilidade, sem eliminar todas as oportunidades de conhecer algo novo.
- Respeite sinais de desconforto e evite forçar a ingestão.
- Valorize formas de aproximação, como olhar, tocar ou cheirar, sem exigir que sempre terminem em uma mordida.
- Procure ajuda individualizada quando a alimentação comprometer a saúde, o crescimento ou o cotidiano.
O papel da avaliação nutricional
O nutricionista pode avaliar a variedade alimentar, o consumo de nutrientes, o crescimento e as necessidades da família. Conforme o caso, o acompanhamento também pode envolver pediatria, fonoaudiologia, terapia ocupacional e outros profissionais.
O objetivo não é fazer a criança comer de tudo a qualquer custo. É construir segurança alimentar, ampliar possibilidades quando viável e cuidar de suas necessidades nutricionais.
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